História Sobre Barrancos

O Município de Barrancos recua nas suas origens aos finais do século XIII, debaixo da administração territorial da vila medieval de Noudar.

Integrado na coroa portuguesa durante o reinado de Afonso III, quando em 1283 Afonso V, o Sábio, doa a sua filha D. Beatriz a margem esquerda do Guadiana, D. Dinis concede foral à vila em 1295. Barrancos, com vestígios de ocupação humana desde o III milénio antes de Cristo seria então uma pequena "alcaria" cuja população viveria fundamentalmente da criação de gado nos pastos do Campo de Gamos e da agricultura de pequenas hortas no termo da povoação.

Doado à ordem de Avis, território do seu termo, de que Barrancos faz parte, mantém-se sob a coroa portuguesa até 1339, passando para a posse do reino de Castela até 1372. Com a morte de D. Fernando, Noudar e o seu termo regressam de novo à coroa castelhana e só são reintegrados em Portugal em 1399.

As mudanças administrativas da região não alteram a vida das populações que, maioritariamente castelhanos, se vêem constantemente na difícil contingência de não saberem sob que bandeira vivem.

Em 1493 Castela afirma que a aldeia de Barrancos é sua, mas as populações, perante a proximidade da fortaleza de Noudar e dos contingentes militares ai fixados, defendem serem do reino de Portugal. Sevilha considera-os traidores e as retaliações sucedem-se até ao primeiro quartel do século XVI.

D.Manuel concede foral à vida de Noudar em 1513.

Mas a sua localização em zonas de conflitos constantes com o reino de Castela tem-na quase deserta. Na inquirição de 1532, o "Livro das Terras das Ordres" dá a Noudar 6 moradores e a Barrancos 73 "...dos quais sam nove viúvas e 2 crelhegos; e os mais delles sam Castelhanos".

A aldeia de Barrancos vai ganhando importância sobre a vila de Noudar e o Castelo fica desprovido de sentido com a integração de Portugal na coroa sob Filipe II de Portugal.

Com as guerras da Restauração a aldeia é arrasada em 1641, por ordem do mestre de campo, Francisco de Sousa. O falar " Barranquenho" dos cerca de 1200 habitantes de Barrancos é o crime para tal atitude dos militares do seu próprio país. O abandono a que Noudar foi votado durante a ocupação castelhana obriga à alteração do nome do município para o de Noudar e Barrancos, denominação que vigora entre 1774 até 1835. No Castelo assenta o corpo militar e administrativo de um concelho que tem a sua população concentrada na aldeia, a mais de 10 quilómetros de distância.

O estatuto de vila adquirido por Barrancos obriga a uma maior atenção por parte da coroa portuguesa para com a população, para mais considerando que mais de 2/3 da população é castelhana ou originária de familiares castelhanos. Por outro lado, um grande afluxo de população começa a chegar à terra fronteiriça com o início da exploração na Botefa, em Minancos, em Apariz e nas Mercês, minas de cobre localizadas na área do concelho.

A 13 de janeiro de 1898, o município de Barrancos é restaurado, menos de dois anos depois de extinto e integrado no de Moura. O então governo, sob a presidência de José Luciano de Castro e tendo como ministro dos negócios do Reino, Francisco António de Veiga Beirão, tem a sensibilidade suficiente para reconhecer e especificidade da região e perceber a necessidade de manter a figura administrativa de concelho para Barrancos. Muitas foram as reivindicações dos barranquenhos e bastantes as pressões. Perante uma população em que cerca de 3/4 eram do reino vizinho ou descendentes de castelhanos, não foi com dificuldade que a legitimidade dos protestos foi reconhecida.

O Município de Barrancos tem, acima de tudo, sabido manter, num território de quase abandono por parte dos governos de Lisboa, e em que a fronteira parece ser delimitada pelas ribeiras de Ardila e Murtigão, uma atitude de esperança e de reconhecimento para com a sua realidade. Com uma população actual de cerca de 2000 habitantes, Barrancos consegue manter um papel de afirmação da cultura portuguesa junto das vizinhas povoações espanholas, através da sua especificidade e realidade sócio-cultural.

A História de ontem e de hoje de Barrancos é feita com a solidariedade e a relação entre os portugueses e os vizinhos.